Flebologia hemodinâmica
Preservação da safena
Em muitos casos, é possível tratar as varizes preservando a safena, através de um planejamento individualizado baseado no Doppler vascular e na hemodinâmica venosa. A decisão não vem da aparência das varizes, e sim do mapeamento de onde o refluxo começa.
Agendar avaliação pelo WhatsAppDra. Anna Karina Sarpe · Cirurgiã Vascular · CRM-SP 144894 · RQE 49199 · RQE 56134
Por que essa conversa mudou
Durante muitos anos, retirar a veia safena era considerado o tratamento padrão para diversas pacientes com varizes.
Hoje sabemos que isso nem sempre é necessário.
A preservação da safena mantém uma veia importante para a circulação e pode representar uma vantagem para a paciente a longo prazo, quando existe indicação adequada.
Esse conceito é muito utilizado por grupos que seguem a flebologia hemodinâmica (ASVAL e CHIVA), abordagens desenvolvidas principalmente na Europa, que priorizam o tratamento individualizado baseado no mapeamento venoso.
O que é a safena?
A safena é uma veia do sistema venoso superficial — ela corre logo abaixo da pele, e não junto aos ossos e músculos como as veias profundas. São duas em cada perna:
- Safena magna — a maior delas. Sobe pela face interna da perna, do tornozelo até a virilha, onde se junta ao sistema profundo.
- Safena parva — mais curta. Percorre a parte de trás da panturrilha e desemboca atrás do joelho.
Elas recolhem o sangue da superfície da perna e o entregam ao sistema profundo, que faz o transporte de volta ao coração. Quando as válvulas dessas veias deixam de funcionar bem, parte do sangue volta no sentido errado — é o que se chama de refluxo, e é a partir dele que muitas varizes se formam.
Por que ela é importante?
Uma safena com refluxo não é uma veia inútil. Ela continua participando da circulação da perna, e ainda pode ter utilidade fora dela.
- Participa do retorno venoso. Mesmo com alguma incompetência valvular, o segmento da veia costuma manter função em parte do trajeto.
- É o enxerto mais usado da cirurgia cardiovascular. A safena é o material de escolha em revascularizações do coração e dos membros. Uma veia retirada não está mais disponível se essa necessidade surgir anos depois.
- Retirar sem indicação é uma decisão sem volta. É por isso que a pergunta deixou de ser "como retirar" e passou a ser "é mesmo necessário retirar".
Quando ela pode ser preservada?
A possibilidade de preservação depende de como o refluxo se comporta naquela perna específica. São fatores avaliados no mapeamento:
- o padrão do refluxo — se ele percorre todo o tronco da veia ou apenas um segmento;
- o ponto onde o refluxo começa, e se ele pode ser tratado de forma isolada;
- o calibre da veia ao longo do trajeto;
- a competência da junção com o sistema profundo;
- a rede de veias tributárias envolvidas;
- o quadro clínico e os sintomas relatados.
Nenhum desses fatores decide sozinho. É a leitura do conjunto que define a estratégia — e é por isso que duas pacientes com varizes de aparência semelhante podem receber indicações diferentes.
Em quais casos a retirada continua sendo indicada?
Preservar não é uma regra absoluta, e apresentar a preservação como solução universal seria tão equivocado quanto tratar a retirada como padrão. Há situações em que a remoção ou a ablação do tronco safeno segue sendo a melhor conduta, entre elas:
- refluxo extenso, envolvendo todo o trajeto da veia, com calibre muito aumentado;
- episódios repetidos de trombose superficial no trajeto da safena;
- alterações avançadas da pele decorrentes da hipertensão venosa, como úlcera ou escurecimento importante;
- ausência de resposta a estratégias conservadoras já tentadas;
- anatomia que inviabilize o tratamento seletivo dos pontos de refluxo.
Nesses casos, procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos também podem ser indicados. O que muda em relação ao passado não é a existência da cirurgia, e sim o fato de ela deixar de ser o ponto de partida.
Como o Doppler define a melhor estratégia?
O Doppler vascular é o exame que transforma essa discussão em decisão. Ele mostra a direção do fluxo em cada segmento, identifica os pontos exatos onde o sangue retorna no sentido errado e registra o calibre e o trajeto das veias.
Sem esse mapa, a conduta só pode se basear no que é visível na superfície — e a superfície não informa de onde vem o problema. Com o mapa, é possível responder à pergunta que realmente importa: é possível tratar a origem do refluxo sem remover o tronco da safena?
Tratamento individualizado
Duas pacientes podem chegar ao consultório com pernas de aparência quase idêntica e sair com planos opostos. Uma pode ter um único ponto de fuga tratável, com a safena preservável. A outra pode ter refluxo em todo o trajeto, com indicação diferente.
Por isso o plano é montado caso a caso, combinando as técnicas disponíveis conforme o que o mapeamento mostrou. Veja como essas técnicas se articulam no tratamento moderno das varizes, e como esse cuidado se insere na saúde e estética das pernas como um todo.
Dúvidas frequentes sobre a preservação da safena
Toda safena com refluxo precisa ser retirada?
Não. Durante muitos anos a retirada foi considerada o tratamento padrão, mas hoje sabemos que isso nem sempre é necessário. Em muitos casos é possível tratar as varizes preservando a safena, a partir de um planejamento individualizado baseado no Doppler vascular e na hemodinâmica venosa. A definição depende do mapeamento venoso de cada paciente.
O que é preservação da safena?
É uma abordagem em que as varizes são tratadas sem remover a veia safena, quando o mapeamento venoso mostra que existe indicação para isso. A safena é uma veia importante para a circulação, e preservá-la pode representar uma vantagem a longo prazo. A avaliação é sempre individual.
O que são ASVAL e CHIVA?
São duas abordagens da flebologia hemodinâmica, desenvolvidas na Europa, que têm em comum a intenção de preservar a veia safena sempre que o mapeamento venoso indica que isso é possível. Em vez de partir da retirada como regra, elas tratam os pontos onde o refluxo começa e acompanham a resposta da circulação ao longo do tempo.
Como sei se sou candidata à preservação da safena?
Não é possível saber apenas pelo exame físico ou pela aparência das varizes. A definição vem do mapeamento venoso com Doppler, que mostra onde o refluxo começa, qual o calibre da veia e como o sangue está circulando. É esse mapa que determina a estratégia.
A safena preservada pode voltar a funcionar melhor?
Em parte dos casos, sim. Quando o ponto de refluxo que sobrecarregava a veia é tratado, a safena pode reduzir de calibre e melhorar a função ao longo do tempo. Isso não acontece com todas as pacientes, e é justamente por isso que o acompanhamento com Doppler faz parte da estratégia.
Já retirei a safena de uma perna. E agora?
A conduta passa a ser outra, mas o raciocínio é o mesmo: o Doppler mostra como a circulação daquela perna se reorganizou e de onde vêm as varizes atuais. Ter retirado a safena não impede o tratamento das veias remanescentes nem o cuidado preventivo da outra perna.
Preservar a safena aumenta a chance de as varizes voltarem?
As varizes são a manifestação de uma doença crônica, e novas veias podem aparecer com o tempo independentemente da técnica escolhida. Por isso o acompanhamento periódico faz parte do tratamento em qualquer estratégia, com ou sem preservação.
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Antes de decidir, vale entender o seu caso
A avaliação com Doppler mostra se a preservação é possível para você.
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